Turismo

(julho 2008)

Será que Sidney é cidade para casar?

- Ponto G é como ponto turístico: todo mundo tem uma idéia de onde fica e a promessa é de que ele vai proporcionar elevados níveis de excitação. Vista sua melhor cueca ou calcinha porque o encontro vai render, prometem os catálogos de viagem. E rende mesmo. Bocas e dedos ficam exaustos ao final do encontro, incansavelmente registrado por câmeras insaciáveis. O ponto G de Sidney tem nome: Circular Quay. Orgasmos múltiplos garantidos para turistas. Os dois cartões-postal mais famosos da cidade cabem em uma única foto. Opera House na direita, Harbour Bridge na esquerda e você no meio, em um dos ménage à trois mais prazerosos do turismo internacional. OH YES, BABY!

- Ninguém entende mais de ponto G do que os inventores do sexo. Não é por acaso que a foma de entretenimento mais popular do mundo foi criada na Austrália. Um artigo na revista Science afirma com convicção antropológica que os primeiros animais no planeta terra a interagir com a genitália desnuda moravam por aqui há cerca de 540 milhões de anos atrás. Os pesquisadores seguem na tentativa de descobrir se foi nessa época que foi criado o canguru perneta.

- Eles inventaram o sexo mas, veja a ironia, não criaram a Opera House. A construção de design expressionista que virou ícone da cidade e do país é do dinamarquês Jørn Utzon. Ele foi o vencedor da competição internacional que recebeu 233 propostas de arquitetos de 32 países. Sua majestade a Rainha Elizabeth II – em carne, osso e chapéu de gosto duvidoso – inaugurou a abertura da casa de ópera em 1973. Para comemorar, fora, teve fogos de artifício, e dentro, teve a Sinfonia número 9 de Beethoven.

- Eles aqui são tarados por fogos de artifício. Em eventos já até virou clichê. Vício incontrolável que nem dos fumantes: acham motivo em tudo para acender um. ‘Foi bom pra você? Foi ótimo! Vamos soltar uns fogos de artifício?’ E do nada, o céu é infestado de luzinhas coloridas nervosas. Eles são bons nisso. A queima de fogos no ano novo é atração turística famosa e disputada. Milhões de pessoas todos os anos se reúnem no ponto G de Sidney para assistir a gozada pirotécnica mais exibicionista do mundo.

- Uma das formas mais populares de estimular o ponto G é fazendo compras (roupa bacana = sex appeal = xaveco = tchaca-tchaca na muchacha) O Queen Victoria Building, QVB para os íntimos, é o shopping centre mais romanesco de Sidney. É um pedacinho de realeza britânica espremido entre a burguesia australiana.

- Vincent Kelly marcou sua passagem pela história de Sidney como o cara que, oh-my-god-I-can’t-believe-it, sobreviveu à queda da Harbour Bridge. Ele estava trabalhando na construção da ponte e, assim de repente, despencou 60 metros até se esborrachar na água. Para se ter uma idéia da altura, é como se 61 anões de 1 metro fossem empilhados de pé, um em cima do outro, e o anão do topo caísse. Se sua imaginação é limitada, você pode, como mais de 2 milhões de pessoas já fizeram, escalar a ponte por esporte (Bridge Climb) e ir ainda mais alto que o Vincent e o anão número 61.

- Depois dos cangurus, os coalas são os animaizinhos mais inspiradores de lembrancinhas cafonas nas lojas de suvenir. Os bichinhos, exclusivos na Austrália, são ninfomaníacos por natureza. Os machos têm pênis bifurcado e as fêmeas têm duas vaginas. Eu não tinha essa informação quando fui ao Taronga Zoo, zoológico de Sidney com vista pro mar. Se não olharia para eles com olhos mais sacanas. Imaginem o sucesso que seriam na indústria pornográfica. Vou me oferecer como empresário da espécie.

- No Brasil a gente gosta de bunda. Aqui bunda não é prioridade. É só ir para Bondi Beach, praia mais popular de Sidney, que dá para notar. Nádegas todas tapadas com biquinis tamanho vovó mafalda (tirando a das brasileiras que se exibem com sorrisinho safado). Peitinhos, por outro lado, tem de sobra. Toplesses são distribuídos gratuitamente para todos em dias de sol.

- 40 segundos de elevador ou 1504 degraus de escada e você vê 420 janelas preenchidas de Sidney. A Sydney Tower oferece a oportunidade vertiginosa de ver a cidade a 250 metros de altura em 360 graus. Uma vez por ano tem uma corrida até o topo da torre usando as escadas para arrecadar dinheiro para o conselho estadual de câncer. O recorde é de 6 minutos e 53 segundos.

- Teóricos do turismo dizem que uma cidade não deve se vender usando apenas seus atributos físicos (belezas naturais, museus, pontos turísticos etc) porque, nesse caso, depois de tiradas as fotos não há motivos para uma nova visita. Deve-se, sim, investir na criação de experiências únicas que só podem ser vividas naquele lugar específico. Sidney já vem perdendo turistas para Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, ao que parece, por causa disso. Tem se preocupado mais em ser a gostosa tesuda ao invés de a companheira interessante. Será que Sidney é cidade para casar?

- O ponto turístico de Sidney que mais faz pensar sobre a experiência de morar aqui é o Paddy’s Market, em Chinatown. Tem muitas ofertas tentadoras e quase imperdíveis, mas poucas delas são autênticas ou vem com garantia. Estrangeiro, se não lê a letra miúda e não sabe o valor da cultura local, acaba pagando mais caro. Se economizar é comprar bem, como diz a propaganda dos supermercados Zaffari, melhor fazer uma listinha do que ser quer e pesquisar o que outros mercados oferecem antes de sair comprando o futuro por impulso.

2 Responses to "Turismo"

  • Diego says:
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