experiências

Ei, você aí! Me dá um emprego aí!


- Da série “tópicos em versinhos”:

Estou anunciando

Agora é oficial

Não sou mais publicitário

Sou garçon profissional

-

Se me chamam prum evento

Eu já sei o que fazer

Nada como mão na massa

Para a gente aprender

-

A entrada vem primeiro

Depois prato principal

Após vem a sobremesa

Quase sempre é tudo igual

-

Jantares de gala

Bailes e casamentos

Festas de aniversário

Com gigantes orçamentos

-

Carregar 3 pratos quentes

Isso já virou rotina

Tem vez que carrego 4

Mamãe nem imagina

-

Ser garcon é mais que isso

É a arte de servir

Atenção para os detalhes

Não esqueça de sorrir

-

Aprendi a “ler a mesa”

As pessoas dão sinais

Somos todos diferentes

Mas no fundo meio iguais

-

Não importa o que se faça

O que conta é a experiência

Pois nem tudo nessa vida

Se aprende com ciência

-

A cada dia me convenço

Não importa a profissão

Serei sempre identidade

Em permanente construção


- Ser pago semanalmente por hora de trabalho pode despertar o workaholic que existe em você. Isso porque quando não se trabalha ou quando se trabalha poucas horas no dia, as vezes dá uma sensação de que se está perdendo dinheiro. Muita calma nessa hora. Se os sintomes persistirem, é aconselhável um tratamento à base de trabalho com salário mensal fixo.

- As leis relacionadas à álcool em Sidney são bem rígidas. Para se trabalhar em bares, restaurantes ou qualquer lugar que sirva bebidas alcóolicas é preciso ter um certificado chamado RSA (Responsible Service of Alcohol). Trata-se de um curso de um dia onde se aprende as leis australianas relacionadas ao assunto, além de alguns procedimentos para se identificar e lidar com pessoas bêbadas.

- Novas habilidades desenvolvidas na profissão de garçon: carrego 3 pratos ao mesmo tempo, seguro 2 garrafas de vinho com apenas uma mão e criei um sorriso padrão para usar como ferramenta de trabalho.

- Fiz um teste de meio turno em uma lanchonete na praia de Coogee. Passei uma manhã toda (me) cortando tomate, cenoura e alface para depois usar na preparação de sanduíches. Nesse dia conclui que quando o assunto é comida, o melhor que posso fazer é ficar longe da cozinha. Decidi não aceitar o emprego pelo bem dos clientes. Tenho certeza que alguém iria acabar comendo um X-dedo qualquer dia.

- Mometo que vai entrar para a história (pelo menos para a minha): servi canapés para o primeiro ministro da Austrália, John Howard, numa festa de inauguração de uma fábrica. Tem muito garçon que se treme todo de ansiedade na presença de pessoas importantes e famosas. Na hora, tudo que pensei foi “ai tio, pega logo um treco desses para dar uma aliviada no peso da bandeja”.

- Esta virando rotina encontrar personagens importantes do cenário politico australiano. Além do primeiro ministro, já servi a governadora de New South Wales e a prefeita de Sydney. Me aguardem. Antes de me aposentar na profissão eu sirvo a Rainha Elisabeth.

- A vida de garçon é dura, mas segue rendendo cenas hilárias que não tem dinheiro que pague. A prefeitura de um distrito perto de Sidney ofereceu um almoço para seus moradores da terceira idade. Foi algo bem informal. Uma bandeja no centro da mesa com várias coisinhas para se beliscar tipo quiches, tortas de carne, espetinho de frango, essas coisas. Três velinhas que estavam em uma das mesas que eu estava servindo, foram discretamente enchendo de comida umas sacolas plásticas que mantinham entre as pernas. Uma graça as caras de criança arteira que as senhorinhas de 70 e tantos anos fizeram quando perceberam que eu estava vendo tudo. Cheguei no ouvido de uma delas e disse “coloca esses que tão sobrando na sacola que vou trazer outra bandeja cheia”. Ela, bem faceira, tacou tudo na sacola, lambeu os dedos e agradeceu.

- Da série “garçon a beira de um ataque de nervos”:

- Escuta aqui, você sabia que, em teoria, não é assim que se segura uma garrafa de vinho?
- E você sabia que, na prática, não se contraria garçon que se não ele cospe na tua comida?

- Trabalhei na inauguração de uma loja de flores. Os donos tiveram a ótima idéia de usar folhas de bananeira como bandejas para servir os canapés. Bem legal. Em especial porque não foram eles que ficaram 4 horas abraçados naqueles trecos sujos de 2 metros de largura, perambulando por um salão minúsculo e lotado.

- Se você ver um garçon com uma bandeja grande e pesada, não importa o que ele esteja oferecendo, aceite. Que não seja por vontade, aceite por piedade.

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