Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Michael Jackson rejuvenesceu. Não como o Benjamin Button, que vira um Brad Pitt sarado e reencontra a Cate Blanchett na meia idade para viver um romance com data de validade. Michael Jackson rejuveneceu de forma bem menos poética, mais como um número bizarro de circo russo. A pele se esticou. O nariz encolheu. O queixo se deformou. O cabelo amoleceu. E nós, mesmo horrorizados, permanecemos curiosos sobre qual seria seu próximo número.
Quando criança, era precoce. Tinha talento e desenvoltura de adulto. Subiu no palco profissionalmente pela primeira vez quando tinha apenas 5 anos. Investiu seus anos de inocência na construção da carreira de cantor. Foi um dos primeiros artistas a se transformar em uma marca. Michael Jackson era produto disponível no mercado mundial. Chegou ao clímax com o lançamento do álbum Thriller, que vendeu 45 milhões de cópias ao redor do mundo – possivelmente o álbum mais bem sucedido da história.
Quando adulto, regrediu. Tentou construir a infância que nunca teve em um terreno de 1000 hectares com parque de diversões, teatro e zoológico. Também passou a se interessar pela companhia de menores de idade, o que provocou polêmica e confusões judiciais. Sua marca passou a perder valor quando os escândalos de sua vida pessoal passaram a chamar mais atenção do que sua música.
Michael Jackson protagonizou diversos episódios estranhos. Uma verdadeira volta ao mundo em bizarrices. Em Berlim, sacudiu perigosamente seu filho na janela de um hotel. Na Suíça, pagou 150 mil dólares para que um bruxo africano realizasse uma cerimônia de vodu contra 25 desafetos. Aqui em Sydney, ele teve um garoto de 8 anos como padrinho do seu casamento com a enfermeira dermatologista Debbie Rowe.
Há pouco mais de um ano atrás, Michael Jackson anunciou que faria 50 shows em Londres a partir do mês de julho. Morreu semanas antes. Uma pena que ele não teve a mesma sorte do Benjamin Button, que mesmo vivendo as fases da vida de trás para frente, como ele, conseguiu rejuvenecer em paz.
Todo ano Sidney bate algum tipo de recorde no inverno. Os jornalistas são bem competentes na arte de criar títulos apocalípticos para ganhar a atenção dos leitores. A manhã mais fria dos últimos 61 anos. O inverno mais rigoroso deste século. A primeira vez que os termômetros registram 5 graus precisamente às 5 da manhã.
Esse ano, mais recordes de temperatura já foram anunciados e todo mundo atualizou o facebook para confirmar que, realmente, naquele dia estava mesmo mais frio do que o comum.
Mas na semana passada, o impossível aconteceu! Nevou em Sidney! Mas ao invés de cair do céu, a neve caiu de um caminhão. Cinco toneladas de neve foram transportadas das montanhas do estado de New South Wales e foram usadas na construção de um parquinho de inverno em Martin Place, no centro comercial de Sidney, para marcar o início da estação de esqui.
Muitos pais aproveitaram a oportunidade para levar seus filhos para ver neve pela primeira vez e para dar uma pequena amostra aos pequeninos do que é um inverno de verdade.
O ecstasy está fazendo 20 anos. Para comemorar, a revista Rolling Stone publicou uma matéria com uma pequena biografia da droga, sua história de amor com as gerações X e Y e de como ela se tornou remédio para melancolia e preguiça social.
Acredita-se que o ectasy ajudou a dismistificar o uso de drogas. O cara se injetando na veia, aspirando pó pelo nariz ou fumando pedrinhas de craque são imagens comumente associadas ao assunto. Com seu formato redondilha e modo de usar igual a aspirina, o ecstasy facilitou a iniciação às drogas daqueles que resistiam por medo ou pré-conceitos. Um case de reposicionamento no mercado.
Basta um copo de água para ajudar a pílula a descer e um pouquinho de paciência para esperar o efeito chegar. Por favor, aguarde na linha. Sua diversão é muito importante para nós.
A droga é muito usada pela galera na tentativa de “garantir” uma boa festa pela diminuição da inibição, aumento da sociabilidade e uma sensação generalizada de felicidade sintética . Ela se tornou uma das drogas mais populares do mundo nas duas últimas décadas, em especial na Austrália. O país está no topo da lista entre os maiores consumidores per capita. Um em cada três australianos pesquisados afirmaram já terem experimentado.
Por segurança, mantenha distância de ecstasy. É uma droga tão potente que faz até os australianos acharem que sabem dançar.
Flash mob é uma atividade ou comportamento pouco usual ou inesperado realizado subitamente em espaço público por um grupo grande de pessoas que, ao final, fazem cara de paisagem como se nada tivesse acontecido.
O conceito de flash mob surgiu como derivado do conceito de smart mob, definido por Howard Rheingold como uma forma de estrutura social inteligente, eficiente e auto-organizada, que usa novas tecnologias como mediadoras das relações. O conceito já foi destaque no bacaníssimo New York Times Year in Ideas.
Um flash mob é, então, um smart mob saindo do armário em público aleatoriamente. Assista aqui a 24 flash mobs para entender a idéia ou crie seu próprio flash mob seguindo os 4 passos indicados aqui.
No final do mês passado, mais de 200 pessoas fizeram parte de um flash mob em Bondi Beach, em Sidney. Começou com um gordinho de sunga vermelha ligando o rádio bem alto e dançando passinhos no ritmo da música. Aos poucos, grupos de pessoas foram aderindo à coreografia, até que uma grande parte da areia da praia virou palco da performance inesperada.
A ação é parte de uma campanha para promover o lançamento de uma filmadora e os criadores esperam que o vídeo circule a Internet de forma viral. Estratégias de comunicação e marketing a parte, alguns flash mobs resultam em vídeos bacanas como esse onde toda a platéia de um show ensaiou uma coreografia ou esse onde 3 mil pessoas brincam de estátua.
Uma característica comum de todos eles é o exibicionismo. Só acontecem na frente das câmeras. Participar de um flash mob que não é filmado não tem graça. O legal da história é também poder assisti-lo e mostra-lo para os amigos como um certificado de bacanice.
Na era da Internet, o que não está online não tem relevância. E tudo é mensurável. Popularidade, por exemplo, é medida em número de cliques e posição nas buscas do Google. Flash mobs são, então, tentativas coletivas de ascender de classe social digitial.
Quem chegou àquela conclusão de que a gente passa um terço da vida na cama, provavelmente não estava sexualmente satisfeito. Quem tem sorte e sex appeal, passa uns dois terços da vida na cama, sendo que durante esse percentual extra se está bem acordado e não necessariamente na horizontal.
A Time Out fez recentemente uma pesquisa para descobrir como os moradores de Sidney usam esse tempo extra sobre o colchão. Eis algumas revelações do estudo e uma rápida análise sociológica:
- 46% dos pesquisados é gay, bissexual ou curioso (a galera tem a mente aberta)
- 51% perdeu a virgindade entre os 16 e 18 anos (ninguém quer virar adulto sem ter transado)
- 52% transa no primeiro ou segundo encontro (é só chegar que o pessoal tá facinho)
- 87% já transou em locais públicos (e você pensou que era apenas sorvete de creme na grama do parque)
- 41% prefere a posição “cachorrinho” (senta, dá a patinha e depois se faz se morto?)
- 80% faz uso de acessórios (tenha uma coleira sempre a mão)
- 50% dos heterossexuais já tiveram uma experiência gay (quem foi gay foi o outro parceiro)
- 57% já deu uma pegada em um colega de trabalho (a maioria não se importa de levar trabalho pra casa)
- 50% já se masturbaram no trabalho (alguns pediram ajuda para um colega)
- 85% faz algum tipo de manutenção nos pelos púbicos (os brasileiros estão fazendo escola)
Sobre esse último dado, já ouvi comentários de psicólogos dizendo que a tendência agora é essa: infantilizar os órgãos genitais, aparando ou tirando todos os pelos da região. É como se o flashback pubiano trouxesse de volta algo dos tempos de descoberta da sexualidade, como desejo insaciável, vigor adolescente ou mesmo critérios bem mais flexíveis na seleção de parceiros.
Quando se fala em Brasil aqui em Sidney, 3 palavras são top of mind: soccer, carnaval e brazilian waxing (depilação brasileira). A fama de termos os melhores jogadores do futebol do mundo está aos poucos sendo substituída pela fama do povo que dita as tendências de moda na região púbica. Quando digo que sou brasileiro, poucos me perguntam se sei jogar futebol, mas quase todos querem saber se sou raspadinho lá em baixo.
Sorte nossa que vamos sediar a copa do mundo de 2014. É nossa última chance de reafirmarmos que temos mais talento com os pés do que com cera e gillette.
Uma tempestade de poeira vinda do deserto australiano atingiu Sidney essa manhã. Meteorologistas estimam que a nuvem de poeira se espalhou por 600 km ao longo do estado de New South Wales. As ruas ficaram cobertas por um pó vermelho e céu ficou alaranjado por toda a manhã até o início da tarde.
O fenômeno tornou o nível de poluição do ar 1500 vezes maior do que o normal, o mais alto que se tem registro. Médicos recomendaram que se evitasse sair nas ruas, em especial pessoas com problemas respiratórios.
Tempestades de poeiras são comuns por aqui. O que impressionou foi a concentração de pó e a abrangência dessa que aconteceu hoje. A visibilidade nas ruas era de apenas 10 metros. Parecia que um meteoro tinha caído na cidade e os prédios estavam em chamas.
Os detectores de fumaça de vários prédios confundiram poeira com fumaça e deixaram os bombeiros de Sidney ocupados. Muita gente acordou achando que o fim do mundo estava próximo e, por isso, se apressaram em tomar seu café da manhã pra morrer de barriga cheia.
A Austrália perdeu a oportunidade de entrar na corrida espacial com classe. Poderia ter enviado as fotos da cidade de céu laranja para o mundo dizendo que já começou a colonizar Marte.
A Jeans West, uma das maiores lojas de jeans da Austrália, instalou câmeras e monitores próximo aos provadores de três de suas lojas para ajudar os compradores naquele momento crucial da decisão de compra: confirmar se a bunda ficou boa na calça.
A idéia é substituir aquela clássica viradinha de pescoço que todo mundo dá para avaliar se você se interessaria pela sua bunda se ela fosse de outra pessoa, tornando o processo mais confortável ou mesmo viável para quem está com torcicolo. Basta parar no local indicado e dar uma espiadinha no monitor.
Clique aqui para assistir ao vídeo.
Há quem diga que, além de uma estratégia de marketing para gerar mídia espontânea (deu certo), as Butt Cams seriam um modo sutil de proteção contra furtos, fato negado pela Jeans West. Também seriam uma tentativa de oferecer algum tipo de serviço aos consumidores para compensar a diminuição no número de funcionários nas lojas. Ao invés de pedir para a moça ou o moço da loja para analisar sua bunda, você tem a oportunidade de exercitar seu narcisismo.
“As câmeras não gravam nenhuma imagem”, a loja afirmou para os clientes apreensivos com a possibilidade de sua bunda ficar famosa no youtube em uma calça que não ficou boa. Talvez eles devessem oferecer a opção de publicar o vídeo no site no caso da calça cair super bem e, quem sabe, até criar um concurso para ver qual a bunda mais acessada da Austrália.
Coalas e cangurus a Austrália tem de sobra, mas elefantes o país não tinha nenhum. No último dia 4 de julho, nasceu o primeiro elefante australiano. A mãe do filhotinho era uma elefante de rua em Bangkok, na Tailândia, e foi trazida para a Austrália como parte de um projeto de preservação de uma espécie asiática em risco de extinção.
Os veterinários do Taronga Zoo, zoológico de Sidney, foram os cafetões do encontro da fêmea Thong Dee com o garanhão Gung e o resultado foi o nascimento de Luk Chai. O nome do elefantinho, que tem inspiração tailandesa, foi escolhido através de um concurso popular que teve a participação de mais de 30 mil pessoas.
Quem quiser acompanhar todos os passos do primeiro elefante australiano, pode acessar o diário digital do bebê, que vem documentando tudo o que acontece com ele desde o nascimento.
Um comediante local disse que se ele pudesse nascer de novo, queria voltar como elefante em extinção, já que, além de ter uma tromba gigante, teria profissionais super qualificados trabalhando duro a procura de parceiras para ele transar.
O filme Sex in The City foi sucesso de bilheteria no ano passado. O público ficou bem faceiro de poder matar as saudades da série de tv no escurinho do cinema. O povo de Sidney teve um motivo extra para ficar entusiasmado com o lançamento do filme. A atriz australiana Caroline Pickering, que já trabalhou em mais de 200 filmes, finalmente conseguiu um papel em um blockbuster de Hollywood.
A ex-moradora da cidade tem vasta experiência na indústria de entretenimento para adultos, que é uma forma profissional e higiênca de dizer filme pornô. Um dos seus filmes mais recentes se chama “Dude, that’s my mom!” (Cara, essa é minha mãe!), um título tão bem pensado que já incluí o clímax da história.
Em Sex in The City, Caroline – que usa Monica Mayhem como nome artístico – é uma das garotas que dá para Dante, o vizinho garanhão da personagem Samantha. Ainda que nos créditos ela apareça apenas como “Dante’s lover No 1”, aqui na Austrália ela já está sendo aclamada como a Nicole Kidman da indústria pornográfica. Em entrevista, ela contou que no teste para o papel simulou uma cena de sexo sozinha, sentada em uma cadeira, e foi contratada na hora.
Eu, enquanto morador da cidade, fiquei orgulhoso de ver Sidney tão bem representada em um filme badalado como esse. Isso me dá esperança de que, um dia, quem sabe, vai chegar a minha vez (de representar Sidney em Hollywood, não de dar para o vizinho da Samantha, só para deixar claro).
O governo do Estado de Queensland anunciou em janeiro desse ano o que está sendo chamado de o melhor emprego do mundo: zelador de uma ilha paradisíaca chamada Hamilton, localizada na internacionalmente famosa Grande Barreira de Corais.
A vaga é para um contrato temporário de apenas seis meses, mas o salário de 25 mil dólares australianos mensais (quase 40 mil reais) compensa. Passagens aéreas de ida e volta, seguro saúde, um buggy e acomodação em uma casa de 3 quartos durante todo o período estão incluídos no pacote de benefícios.
A rotina do novo funcionário envolve coleta de correspondência, alimentar tartarugas marinhas e peixes, limpar as piscinas, observar baleias e mergulhar. Além dessas tarefas rotineiras, o zelador deverá manter um blog, diário de fotos e vídeos sobre o seu dia-a-dia.
Nenhuma qualificação acadêmica é necessária para realizar o trabalho, mas saber nadar e mergulhar, ter espírito aventureiro, ser um ótimo comunicador, além de ter inglês fluente, são atributos considerados importantes. O vencedor do concurso foi o inglês Ben Southall, que foi escolhido entre mais de 34 mil candidatos do mundo inteiro.
Tudo isso é parte de uma estratégia de marketing do governo de Queensland para promover turismo na ilhas da região. Os 1.7 milhões de dólares investidos na campanha geraram mídia espontânea em jornais, revistas, websites e canais de televisão do mundo inteiro, representando um valor total de 150 milhões de dólares.
Sucesso! Case de marketing que até já rendeu prêmio para a agência de propaganda que criou. Agora só falta toda essa atenção da mídia se transformar em turismo, que é o objetivo principal da campanha. Existe a expectativa de que o vencedor do concurso – com seus vídeos, fotos e blog sobre a experiência – continue a captar atenção mundial e que isso seja suficiente para convencer turistas a escolherem uma das ilhas de Queensland como destino de viagem. O melhor emprego do mundo traz responsabilidades do tamanho da Austrália.