Quem passa desavisado pela vitrine do açougue Victor Churchill, no bairro Woollahra em Sydney, pode facilmente confundí-lo com uma loja de grife avant-garde. Ele existe há 133 anos, mas foi só no ano passado que as obras que a tornaram super cool foram concluídas.
Esqueça todas as suas prévias experiências com açougueiros mal-humorados, barrigudos e mal-penteados. Os funcionários são uniformizados, tem corte de cabelo bacana e etiqueta de vendedor de loja de grife. Carne nesse açougue não é commodity. Todos os produtos são cuidadosamente apresentados em um ambiente com projeto de escritório de arquitetura respeitado na Austrália.
Se virar churrasco é inevitável, terminar na vitrine da Victor Churchill é o mais próximo que um animal pode ter de um final feliz.
A Jeans West, uma das maiores lojas de jeans da Austrália, instalou câmeras e monitores próximo aos provadores de três de suas lojas para ajudar os compradores naquele momento crucial da decisão de compra: confirmar se a bunda ficou boa na calça.
A idéia é substituir aquela clássica viradinha de pescoço que todo mundo dá para avaliar se você se interessaria pela sua bunda se ela fosse de outra pessoa, tornando o processo mais confortável ou mesmo viável para quem está com torcicolo. Basta parar no local indicado e dar uma espiadinha no monitor.
Clique aqui para assistir ao vídeo.
Há quem diga que, além de uma estratégia de marketing para gerar mídia espontânea (deu certo), as Butt Cams seriam um modo sutil de proteção contra furtos, fato negado pela Jeans West. Também seriam uma tentativa de oferecer algum tipo de serviço aos consumidores para compensar a diminuição no número de funcionários nas lojas. Ao invés de pedir para a moça ou o moço da loja para analisar sua bunda, você tem a oportunidade de exercitar seu narcisismo.
“As câmeras não gravam nenhuma imagem”, a loja afirmou para os clientes apreensivos com a possibilidade de sua bunda ficar famosa no youtube em uma calça que não ficou boa. Talvez eles devessem oferecer a opção de publicar o vídeo no site no caso da calça cair super bem e, quem sabe, até criar um concurso para ver qual a bunda mais acessada da Austrália.
O governo do Estado de Queensland anunciou em janeiro desse ano o que está sendo chamado de o melhor emprego do mundo: zelador de uma ilha paradisíaca chamada Hamilton, localizada na internacionalmente famosa Grande Barreira de Corais.
A vaga é para um contrato temporário de apenas seis meses, mas o salário de 25 mil dólares australianos mensais (quase 40 mil reais) compensa. Passagens aéreas de ida e volta, seguro saúde, um buggy e acomodação em uma casa de 3 quartos durante todo o período estão incluídos no pacote de benefícios.
A rotina do novo funcionário envolve coleta de correspondência, alimentar tartarugas marinhas e peixes, limpar as piscinas, observar baleias e mergulhar. Além dessas tarefas rotineiras, o zelador deverá manter um blog, diário de fotos e vídeos sobre o seu dia-a-dia.
Nenhuma qualificação acadêmica é necessária para realizar o trabalho, mas saber nadar e mergulhar, ter espírito aventureiro, ser um ótimo comunicador, além de ter inglês fluente, são atributos considerados importantes. O vencedor do concurso foi o inglês Ben Southall, que foi escolhido entre mais de 34 mil candidatos do mundo inteiro.
Tudo isso é parte de uma estratégia de marketing do governo de Queensland para promover turismo na ilhas da região. Os 1.7 milhões de dólares investidos na campanha geraram mídia espontânea em jornais, revistas, websites e canais de televisão do mundo inteiro, representando um valor total de 150 milhões de dólares.
Sucesso! Case de marketing que até já rendeu prêmio para a agência de propaganda que criou. Agora só falta toda essa atenção da mídia se transformar em turismo, que é o objetivo principal da campanha. Existe a expectativa de que o vencedor do concurso – com seus vídeos, fotos e blog sobre a experiência – continue a captar atenção mundial e que isso seja suficiente para convencer turistas a escolherem uma das ilhas de Queensland como destino de viagem. O melhor emprego do mundo traz responsabilidades do tamanho da Austrália.