Quem passa desavisado pela vitrine do açougue Victor Churchill, no bairro Woollahra em Sydney, pode facilmente confundí-lo com uma loja de grife avant-garde. Ele existe há 133 anos, mas foi só no ano passado que as obras que a tornaram super cool foram concluídas.
Esqueça todas as suas prévias experiências com açougueiros mal-humorados, barrigudos e mal-penteados. Os funcionários são uniformizados, tem corte de cabelo bacana e etiqueta de vendedor de loja de grife. Carne nesse açougue não é commodity. Todos os produtos são cuidadosamente apresentados em um ambiente com projeto de escritório de arquitetura respeitado na Austrália.
Se virar churrasco é inevitável, terminar na vitrine da Victor Churchill é o mais próximo que um animal pode ter de um final feliz.
- Se eu tivesse escolha, comeria apenas algumas poucas vezes por semana. Nunca tive paciência com comida, nem para comer e muito menos para cozinhar. Há sempre outras prioridades na minha agenda. Parece absurdo e sensacionalista, mas houve dias em que fiz uma refeição e simplesmente esqueci das outras. Fui lembrado que era hora de comer novamente por uma fraqueza nas pernas ou uma dor de cabeça. Não gosto da idéia de investir meu tempo em algo que acaba sendo descartado horas depois em uma privada qualquer. Para economizar energia nesse processo, criei um grupo seleto de comidas favoritas. Meus amigos debocham dizendo que tenho paladar infantil, que só gosto de sabores divertidos e fáceis de entender. Há não muito tempo atrás eu só comia quando estava morrendo de fome e só bebia quando estava morrendo de sede. Isso ainda acontece de vez em quando, mas estou me esforçando para mudar. Um dia Sidney comentou que quem chega nesses extremos pode estar sofrendo de anorexia existencial. Sorte que o meu caso é bem mais simples. Meu apetite, quando se sente solitário, só funciona no modo de emergência.
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O restaurante Sobo Bistro, em Bondi Beach, implantou um sistema de pagamento onde os clientes decidem o quanto querem pagar pela comida. Um cardápio sem preços é distribuído e ao lado de cada item há um espaço para se escrever o valor que se deseja pagar pelo prato.
Mr Gerondis, o dono do restaurante, disse que se inspirou na banda britânica Radiohead, que lançou um álbum na Internet e permitiu que os compradores pagassem o valor que consideravam adequado. A idéia é que os clientes saiam do restaurante com a sensação de que pagaram um preço justo pela refeição. Se gostaram pagam mais, se não gostaram pagam menos.
O conceito atraiu novos fregueses e Mr Gerondis está bem faceiro com os resultados. A maioria das pessoas entra no espírito e paga um valor bem próximo ou até maior do que os preços sugeridos pelo cardápio original, deixado na mesa como um guia de referência. Mas lógico que sempre tem os pão-duros de plantão.
Recentemente 3 garotas pediram dois pratos cada uma e pagaram 85 centavos por cabeça. O dono do restaurante, curioso, perguntou se elas não gostaram da comida. Elas disseram que sim, mas que não achavam que a refeição era melhor do que o CD do Radiohead, que elas compraram por apenas 1 dólar.